Ferrovia Litorânea: trajeto pelo Morro dos Cavalos é defendido pelo DNIT

Representantes da Regional Sul da FACISC participaram de reunião com DNIT e FUNAI na Câmara de Transportes e Logística da FIESC, em Florianópolis na última sexta-feira (9)

Durante a reunião da Câmara de Assuntos de Transporte e Logística da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), nesta sexta-feira (9), em Florianópolis, o engenheiro, coordenador de construções ferroviárias do DNIT Nacional e responsável pelo projeto da Ferrovia Litorânea (SC), Jean Carlo Trevisolo de Souza, afirmou que “a posição do DNIT em relação à Ferrovia Litorânea é pelo traçado original passando pelo Morro dos Cavalos. Estudamos à exaustão outras alternativas, mas elas trazem um custo muito grande para a ferrovia o que a inviabiliza”, explicou.

Segundo Souza, a Ferrovia Litorânea foi dividida em dois lotes para a realização do projeto e em quatro lotes para realização da obra. O lote 1 é de 125 quilômetros de extensão e vai do Porto de Imbituba ao Rio Tijucas. O lote 2 tem 119 quilômetros de extensão e vai do Rio Tijucas até Araquari, onde se encontra com a ferrovia que vai ao Porto de São Francisco. “Hoje o projeto básico está pronto, mas não consigo aprovar dentro do DNIT sem a licença do IBAMA, que só vai emitir a licença prévia se houver o componente indígena. Para fazer o componente indígena preciso de um termo de referência emitido pela Funai, que não estamos conseguindo obter”, explicou o engenheiro. Ele disse ainda que o custo dos dois lotes da Ferrovia está estimado em R$ 6,29 bilhões e prevê 96 obras de arte especiais.

Participaram da reunião lideranças empresariais, parlamentares, representantes dos Portos e da Funai. Representantes da Regional Sul da Facisc – Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina, que acompanham o tema, como o vice-presidente regional, Carlos Fornazza e o presidente da Associação Empresarial de Imbituba – ACIM, Jaime Pacheco Alves, também estiveram no encontro, acompanhados do presidente do Conselho Superior da Facisc, Alaor Tissot.

Visão da Regional Sul

O vice-presidente da Regional Sul da FACISC, reafirma a necessidade de que o projeto da Ferrovia tenha o Morro dos Cavalos como único trajeto. “Os outros traçados são inviáveis devido ao aumento da distância e a quantidade enorme de túneis. Diante disso ficou definido que vamos trabalhar para aprovar o projeto original. Em relação a FUNAI, nos parece que há uma má vontade em discutir o trajeto. A conclusão, e o que foi definido na reunião, será de marcar um encontro entre DNIT e FUNAI em Brasília para esclarecer e finalizar de uma vez este impasse, afinal, os dois órgãos são subordinados ao governo federal, explica Fornazza.

Para o presidente da ACIM, Jaime Pacheco Alves, não ter uma ferrovia que ligue o sul ao restante da malha ferroviária nacional, não pode ser uma opção. “Como representantes do Sul, precisamos estar atentos, pois já há propostas para cancelar o lote 1 do projeto. Assim, mais uma vez, ficaríamos isolados, o que é um absurdo. Além da movimentação de cargas, precisamos pensar também no transporte de pessoas. Com um estado provido de ferrovias que o integram de Norte a Sul e de Leste a Oeste, passando por todos os seus portos, é uma condição inigualável para desenvolver para o turismo”, acredita Alves.

Visão da Fiesc

O presidente da FIESC, Glauco José Côrte, lembrou que a reunião é a continuação do desafio que foi colocado em março de avaliar alternativas e buscar um consenso em relação ao traçado da Ferrovia Litorânea e em face das dificuldades conhecidas em relação ao sítio indígena do Morro dos Cavalos. “Na FIESC temos o propósito e o empenho de dirigir esforços para concluir os projetos em andamento que, como sabemos, já consumiram um grande volume de recursos sem que tenhamos concluídos os projetos, pelo contrário, há postergações. A ideia é buscar uma solução para a questão do sítio indígena que evite o aumento substancial dos gastos com ajustes nos projetos”, declarou, ressaltando que a questão do sítio indígena tem relação direta com a conclusão da BR-101 Sul, obra iniciada em 2005 e ainda não concluída pela falta da construção do túnel do Morro dos Cavalos.

“Estamos convocando as lideranças empresariais, a Assembleia Legislativa e a bancada federal para que possamos em conjunto resolver essa questão em Santa Catarina. Para nossa surpresa, o que falta é uma interlocução entre as entidades que estão diretamente ligadas à essa decisão que é a Funai, o DNIT e a Valec. Então esses três órgãos precisam conversar e para isso está faltando uma coordenação que possa concluir esse trabalho”, afirmou o presidente da Câmara, Mario Cezar de Aguiar, ressaltando que a Ferrovia Litorânea não tem por objetivo ligar os portos catarinenses, mas sim, estes com a malha viária nacional e prover uma ampliação da malha viária do Estado tanto com destino ao mercado doméstico quanto para o mercado internacional por intermédio dos portos.

Dados

O projeto da Ferrovia Litorânea foi iniciado em 2008 com previsão de entrega para 2011. Se considerar a concessão do governo imperial em 1870 para construção da Litorânea, já são 147 anos de espera. Conforme informações da FIESC, uma composição de trem com 100 vagões substitui 357 caminhões em trajetos de longo curso, reduzindo emissões de CO2. A matriz de transporte de Santa Catarina está concentrada em 68% no modal rodoviário e os eixos rodoviários, mesmo ampliados, não terão a capacidade de absorver o aumento exponencial da população, das cidades, da atividade econômica, da movimentação portuária e do turismo. Além disso, a postergação exigirá atualização dos projetos pela ocupação das áreas previstas no traçado.

Com informações da FIESC. Fonte e mais fotos em: FIESC

Fotos: Emanuelle Querino/ACIM